
A água dos rios
costuma correr
tranquila e monotonamente.
Os dias da nossa vida
assim correm também.
Lá vem hoje,
e lá vem daqui a tempos,
um pequeno salto sentimental
que os perturba.
Mas a igualdade do seu curso
e a do curso dos rios
refaz-se sempre, teimosamente...
Como poderá um diário
deixar de ser monótono,
corrente
e vulgar?
Irene Lisboa, “Um dia e outro dia...Outono havias de vir”
.