A AMIZADE DOS TEUS OLHOS
A amizade dos teus olhos recompensa
De tanto dia inutilmente escuro!
As tuas mãos repetem nos seus gestos
A água feliz dos meus vales sombrios.
A tua voz sabe a férias, mora no fundo
Dos segredos evidentes da infância.

Mal chegas, mal partes. Como o tempo,
Como os comboios no túnel imprevisto,
Como um sorriso, como as coisas perfeitas.
Alberto de Lacerda, in "Oferenda"
Ática