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Rosa Alice Branco |
Quando o poema surge inesperadamente
e a mão rodopia como uma tempestade de folhas
ou se acalma no papel,
quando o poema é como se nada estivesse escrito
e nada exista
senão o universo inseparável e inteiro
de que não é possível dizer uma linha
que ninguém se lembra de escrever
absorto a ser o que o universo sempre é,
nesse agora instante
em que o tempo está inscrito
o espaço, o tempo e o poema desaparecem
na presença absoluta da poesia.
Rosa Alice Branco, "A Mão Feliz", Limiar