Bem-vindo ao Blogue das Bibliotecas Escolares do agrupamento da Maia!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

Maria Faia

Eu não sei como te chamas
Zeca Afonso

Oh Maria Faia!
Nem que nome te hei-de eu pôr
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!

Cravo não, que tu és rosa
Oh Maria Faia!
Rosa não, que tu és flor
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!

Não te quero chamar cravo
Oh Maria Faia!
Que te estou a engrandecer,
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Chamo-te antes espelho
Oh Maria Faia!
Onde espero de me ver
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!

O meu amor abalou
Oh Maria Faia!
Deu-me uma linda despedida,
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!
Abarcou-me a mão direita
Oh Maria Faia!
Adeus oh prenda querida
Oh Maria Faia, oh Faia Maria!

Letra e música de Zeca Afonso

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

Somos Livres

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Uma gaivota voava, voava


Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.


Letra e música de Ermelinda Duarte

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

Cantiga para os que partem

Este parte, aquele parte
ominho.pt/hendaia-cidade-simbolica-da-emigracao-portuguesa

e todos, todos se vão
oh terra ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca, órfãos e órfãs
e campos de solidão
e mães que não têm filhos
filhos que não têm pais.

Corações que tens e sofrem
longas ausências mortais
viúvas de vivos-mortos
que ninguém consolará.

Versos: Rosália de Castro
Música: José Niza
Interpretação: António Bernardino

Cantiga Para os Que Partem

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

"Canções com História"

Cada canção, todas as canções têm uma história. É como uma espécie de bilhete de identidade: quem as criou, onde nasceram, quem as cantou, onde, quando e porquê.(...)
Muitas canções têm História, mas, também muitos poemas, feitos canção, criaram histórias que vale a pena cantar e contar.

É disto exemplo, o soneto de Luís de Camões, interpretado por José Mario Branco e música de Jean Sommer.

para ouvir AQUI!

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

Ser livre é querer ir e ter um rumo


Ser livre é querer ir e ter um rumo
https://osegredo.com.br/ser-livre

e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado,amordaçado,em sangue,exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.


 Armindo Rodrigues (1904 - 1993)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

AS MÃOS

Com mãos se faz a paz se faz a guerra
De Manuel Alegre 
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.



Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.



Manuel Alegre
O canto e as armas


terça-feira, 17 de abril de 2018

Ano Europeu do Património Cultural – 2018

www.unescoportugal.mne.pt/pt/noticias/ano-europeu-do-patrimonio-cultural-2018
"A Comissão Nacional da UNESCO participou no lançamento do Ano Europeu do Património Cultural – 2018, que teve lugar no Museu de Arte Popular de Lisboa, no dia 21 de setembro. Durante o evento ocorreu a mesa redonda "Património e Natureza".
2018 foi declarado o Ano Europeu do Património Cultural, com o objetivo de celebrar a diversidade e a riqueza do património cultural europeu e de sensibilizar os cidadãos para a História e valores europeus, de modo a promover o diálogo intercultural e a coesão social.
O evento pretende demonstrar as diferentes oportunidades oferecidas pelo património cultural, bem como os desafios que este enfrenta, nomeadamente as mudanças digitais, a pressão ambiental e física colocada sobre os locais de interesse cultural e ainda enfatizar o papel que este tem a nível económico e de estabelecimento e fortalecimento de relações entre entidades, através de iniciativas de valorização, proteção e reabilitação do património. (...)"

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"

         E depois do adeus
https://vozdoseven1.blogs.sapo.pt

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
Letra de José  Niza
Interpretado por: Paulo de Carvalho

"25 de Abril: 44 anos - 44 poemas"


Liberdade
anamargaridapalmeiraebomeeugosto.blogs.sapo.pt
Era ainda a voz da juventude
quando a liberdade entrou
pelo canto da boca

As mãos acariciavam o sonho
enquanto o cheiro cinzento das grades
evadia os ideais

Hoje
em busca da palavra
o novo Abril amotina-se
na memória

Informada
pelo preço do não ser
arde agora
a palavra
traída
sem ousar... falar!

Fernando Macias