Bem-vindo ao Blogue das Bibliotecas Escolares do agrupamento da Maia!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Um livro

Um livro é uma casa grande, com todos os quartos que quisermos ocupar e que está implantada no lugar do mundo que mais nos convier.
Um livro é um espelho onde nos podemos ver mas com corpo de homem, ou de mulher, de cor negra, ou branca ou aos quadradinhos, com cabelo ruivo ou louro ou de todas as cores.
Um livro é uma fonte de água muito límpida e muito fresca que nos mata a sede à hora que quisermos.
Um livro é uma árvore que nos dá a sombra e nos mostra as raízes diversas que povoam o chão.
Um livro pode ser uma travesseira ou um bálsamo.
Um livro pode ser um despertador mais estridente que os mais sibilantes despertadores.
Um livro pode levar-se para toda a parte - até para a banheira - e, muitas vezes agarra-se à pele de quem o lê e nunca mais na vida é capaz de o esquecer.
Um livro é o ser mais paciente do mundo. Espera por um leitor a vida inteira.
Não lêem livros os desafortunados que nunca tiveram a oportunidade de provar os sabores do sonho, da sabedoria e da vida. Senhor, tende piedade deles!

José Jorge Letria

sábado, 14 de janeiro de 2012

Concurso "Ler em Português"





A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura lançam, em 2011.12, a 1ª edição do concurso Ler em Português, com o intuito de promover a utilização da Língua Portuguesa, aumentar as práticas de leitura e aprofundar a troca de experiências entre alunos e professores portugueses e norte-americanos.

Ler mais aqui!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Semana da Leitura




Mensagem do PNL


À semelhança do que se tem verificado em anos anteriores, entre 5 e 9 de Março, a Semana da Leitura 2012 convida as escolas a criarem ambientes festivos em que se celebram a leitura, os livros e a cooperação, mobilizando as suas comunidades de forma criativa e inovadora.
A 6ª Edição da Semana da Leitura, centrada no tema Cooperação/ Solidariedade, propõe, a partir de leituras diversas, a abordagem de questões muito diversificadas e transversais relacionadas com esta temática.
No âmbito desta iniciativa, o Plano Nacional de Leitura, em parceria com o Banco Popular, promove, no presente ano, um concurso subordinado à temática central da Semana da leitura, convidando as escolas não agrupadas/ os agrupamentos de escolas a participarem no Concurso «Eu conto!». Pretende-se, assim, a partir de leituras diversas, premiar a criação de um conto ou, para os mais pequenos, a ilustração de uma história anteriormente ouvida ou lida.

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domingo, 4 de dezembro de 2011

Exposição



"Onde te leva a imaginação"



Os CTT, em parceria com o Plano Nacional de Leitura, estão de volta com a 6ª edição do concurso "Onde te leva a imaginação?".

Para o ano letivo de 2011/12 o tema escolhido foi a Responsabilidade Social.

Por sua vez, o desafio das duas atividades que compõem este concurso é IMAGINA UM PORTUGAL MELHOR: onde te leva um selo? (prova de desenho) e onde te leva a leitura? (prova escrita).


Participa!

domingo, 27 de novembro de 2011

Concurso de escrita: acrósticos


"Presentes para o Natal: acrósticos"
PARTICIPA!
Contamos contigo...
Consulta aqui o regulamento.

sábado, 19 de novembro de 2011

Antes da Neve



Antes da Neve


As grandes searas

sacudirão a crina, a luz de setembro

tombará dos olmos,

a espuma do vinho

extinguir-se-á

como lume breve -


só então a neve...



Eugénio de Andrade, Ostinato Rigore

Lição



Marvão por M. Ferreira



Lição



Oiço todos os dias,

De manhãzinha,

Um bonito poema

Cantado por um melro

Madrugador.

Um poema de amor

Singelo e desprendido,

Que me deixa no ouvido

Envergonhado

A lição virgina

Do natural,

Que é sempre o mesmo, e sempre variado.



Miguel Torga, Antologia Poética.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A carta da paixão



Esta mão que escreve a ardente melancolia

da idade

é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,

que à imagem do mundo aberta de têmpora

a têmpora

ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra

a sua queimadura desde os seus recessos negros

onde

se formam

as estações até ao cimo,

nas sedas que se escoam com a largura

fluvial

da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas

e o silêncio todo branco.

Os dedos.

A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua

alumia-se. O mel escurece dentro da veia

jugular talhando

a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se

a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas

obscuras, a lua

tece as ramas de um sangue mais salgado

e profundo. E o marfim amadurece na terra

como uma constelação. O dia leva-o, a noite

traz para junto da cabeça: essa raiz de osso

vivo. A idade que escrevo

escreve-senum braço fincado em ti, uma veia

dentro

da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta

da figura cavada

no espelho. Ou ainda a fenda

na fronte por onde começa a estrela animal.

Queima-te a espaçosa

desarrumação das imagens. E trabalha em ti

o suspiro do sangue curvo, um alimento

violento cheio

da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força

desde a raiz

dos braços a força

manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda

fechada, a límpida

ferida que me atravessa desde essa tua leveza

sombria como uma dança até

ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma

estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum

astro

é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros

do teu vestido.

As palavras que escrevo correndo

entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,

arterial.

E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.

A paixão é voraz, o silêncio

alimenta-se

fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te

toda

no cometa que te envolve as ancas como um beijo.

Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem

nos quartos.

É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a

entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel

relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta

pelo meio

o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras

um pouco loucas

engolfadas, entre as mãos sumptuosas.

A doçura mata.

A luz salta às golfadas.

A terra é alta.

Tu és o nó de sangue que me sufoca.

Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões

da madeira fria. És uma faca cravada na minha

vida secreta. E como estrelas

duplas

consanguíneas, luzimos de um para o outro

nas trevas.


Herberto Helder, PHOTOMATON & VOX







Se todo o ser ao vento abandonamos


E sem medo nem dó nos destruímos,


Se morremos em tudo o que sentimos


E podemos cantar, é porque estamos


Nus em sangue, embalando a própria dor


Em frente às madrugadas do amor.


Quando a manhã brilhar refloriremos


E a alma possuirá esse esplendor


Prometido nas formas que perdemos.



Sophia de Mello Breyner