Bem-vindo ao Blogue das Bibliotecas Escolares do agrupamento da Maia!

quinta-feira, 5 de março de 2020

O Emigrante-Conjunto Maria Albertina

As migrações na poesia - O emigrante do Conjunto Maria Albertina

O emigrante
Longe da terra distante
Longe do seu Portugal
Vai lembrando o emigrante
A sua terra natal
Na sua grande ansiedade
É triste viver assim
Mas quando vem a saudade
Chora saudades sem fim
Longe dos seus
Vai vivendo a recordar
Tem fé em Deus
Que um dia há-de voltar
Há no seu crer
Um só desejo afinal
Poder morrer
Em Portugal
Há no seu crer
Um só desejo afinal
Poder morrer
Em Portugal
Ai quantas saudades tem
Da sua pequena Aldeia
E o rosto de sua mãe
Traz noite e dia na ideia
Baixinho sua alma reza
Para esquecer desventuras
Vai desfiando tristezas
Num rosário de amargura
Longe dos seus
Vai vivendo a recordar
Tem fé em Deus
Que um dia há-de voltar
Há no seu crer
Um só desejo afinal

Poder morrer
Em Portugal.

terça-feira, 3 de março de 2020

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - CANTAR DE EMIGRAÇÃO

As migrações na poesia - Cantar de emigração

Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão.

Tens em troca órfãos e órfãs
Tens campos de solidão.
Tens mães que não têm filhos
Filhos que não têm pai.

Coração que tens e sofre
Longas ausências mortais.
Viúvas de vivos mortos
Que ninguém consolará.

Este parte, aquele parte
E todos, todos se vão.
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão.

Adriano Correia de Oliveira

Desafios de Leitura para março – a LER+ sobre a mulher

Desafios de leitura


Título: Mulheres que lêem são perigosas
Autora: Stefan Bollmann
Editora: Quetzal, 2007

Sinopse: A história das mulheres que lêem encontra-se patente na pintura e na fotografia. O motivo da mulher que lê fascinou artistas ao longo de todas as épocas. No entanto, até ser permitido às mulheres ler aquilo que elas bem quisessem, passar-se-iam bastantes séculos. Primeiro que tudo deveriam bordar, rezar, tratar das crianças e cozinhar. Contudo, no preciso momento em que se aperceberam da leitura como uma possibilidade de trocar o estreito mundo do lar pelo ilimitado universo das ideias, da fantasia, mas também do conhecimento, passaram a constituir uma ameaça. As mulheres que liam podiam através da leitura adquirir conhecimentos e experiências que não lhes eram originalmente destinados. Este empolgante capítulo da história da leitura feminina é tratado por Stefan Bollmann com um olhar atento ao pormenor. Conduz-nos numa viagem desde a Idade Média até ao presente, pertencendo a maioria dos motivos apresentados aos séculos XIX e XX. As pinturas, fotografias e desenhos escolhidos para este livro são apresentados e acompanhados de breves textos. 


Na biblioteca com a contadora de histórias Ana Esteves




Nos dias 18 e 19 de fevereiro, a contadora de histórias Ana Esteves contou e encantou!

No âmbito das comemorações do mês dos afetos e dos valores - fevereiro - a EB1, nº1, de Gueifães recebeu a contadora de histórias Ana Esteves.
Todos os alunos, em cronograma próprio, tiveram a oportunidade de ouvir contar a história: "Mãe, fui devolver o mano!".
Com a alegria e expressividade que lhe são características, a contadora conseguiu passar a mensagem da importância da amizade e da família.
Os alunos adoraram a história. 
No final, em momento de reflexão, outros valores e afetos foram abordados... dando voz à opinião e vivências dos próprios alunos.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Desafios de Leitura para março – a LER+ sobre a mulher


Isadora Duncan

Leve e etérea, dançou e rompeu preconceitos na arte em que era exímia






Vestia-se com uma túnica transparente, braços, pernas e pés nus e com um longo cabelo solto.
O público admirava-a, embora não conseguindo perceber por que razão esta bela mulher dançava temas baseados nas figuras de Botticelli.
Da sua dança libertavam-se emoções internas.
Como ela dizia, não era o corpo que dançava, mas sim, a essência, a alma.
A sua vida teve tanto de inovação artística como a sua morte de absurdo. 
Desapareceu num acidente, em 1927, aos 50 anos, quando a écharpe que usava se enrolou no volante do carro em que seguia. 
A dança perdeu uma das suas divas mais fascinantes que, com uma mestria estética singular, difundiu como ninguém, até então, o culto do corpo e da beleza do seu movimento.

Provérbios do mês - março

*Em Março, cada dia chove um pedaço.
*Em Março, tanto durmo como faço.
*Entre Março e Abril o cuco há-de vir.Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
*Janeiro geoso, Fevereiro nevado, Março frio e ventoso, Abril chuvoso e Maio pardo, fazem o ano abundoso.

As migrações na poesia - "Terra - 24"

Terra - 24
https://pt.wikipedia.org/wiki/
Fernando_Namora

António, é preciso partir!
o moleiro não fia,
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina!
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quere o pão; a tua casa é fria!
É preciso emigrar!
O vento anda como doido – levará o azeite;
a chuva desaba noite e dia – inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhando sem pasto,
a morte e o frio por todo o lado,
só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António!
É preciso embarcar!
Badalão! Badalão! – o sino
já entoa a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas, António?
Ninguém perdoa – que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a secura da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra,
com tudo!
Árida, árida a vida!
António, é preciso partir!
António partiu.
E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.

Fernando Namora, in 'Terra'

As migrações na poesia


Desde sempre que as migrações constituíram importantes motores de redistribuição da população pelos territórios. Independentemente das origens e dos destinos elas acabam por acentuar ou atenuar desequilíbrios regionais. 
Portugal, país tradicionalmente de emigrantes, vê a emigração reforçada nos finais do século XX. Na atualidade, porém, e no âmbito das migrações, Portugal é um país de "regime misto", poie é recetor e emissor de migrantes.

E este assunto, migrações, foi sempre tão atual e, por vezes, perturbador, que ao logo dos tempos foi prendendo a atenção de muitos poetas, que sobre ele escreveram.

Durante o mês de março, iremos publicar poemas que nos remetam para as migrações, na rubrica "As migrações na poesia".