Bem-vindo ao Blogue das Bibliotecas Escolares do agrupamento da Maia!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Clube do Património da Escola Básica nº2 de Gueifães


A manhã estava fria, mas o sol brilhava e os meninos estavam contentes  porque iam fazer algo um pouco diferente do habitual dentro da sala de aula. E todos nós sabemos como estas atividades motivam os alunos. Iam ter uma aula de história ao vivo. Uma turma do 4º ano, acompanhada pela sua professora e pela coordenadora da biblioteca, saiu da escola e numa primeira paragem visitou o monumento dedicado a Aristides de Sousa Mendes, que dá o nome à rua onde a escola fica situada, o qual foi para muitos judeus, em pleno conflito mundial, o homem certo, no lugar certo. Em boa hora recuperaram a sua memória. Um pouco mais adiante entramos na Escola Príncipe da Beira, o primeiro estabelecimento de instrução elementar da nossa freguesia, mandada construir por um dos nossos, o "torna-viagem" Joaquim Carlos da Silva, inaugurada em 1894, primeiro só para rapazinhos e, mais tarde, acrescentada com uma sala de aulas para meninas. Fomos amavelmente recebidos por elementos da junta de freguesia. Foi realçada por todos a noção de pertença e identidade social que estas visitas proporcionam aos nossos jovens. 

"Conta-nos uma História"


Poesia... para começar bem o dia!

Uma nova palavra

Eu quero uma nova palavra
diferente das outras palavras
que cansei de repetir,
uma palavra de vento,
uma palavra que o tempo
seja incapaz de ferir.
Eu quero uma nova palavra,
mistura de sol e de frio,
de barcos descendo um rio,
cheia de céu e de mar.
Eu quero uma nova palavra
aberta de par em par
como o rosto de um menino
com paisagens no ouvido
e cantigas no olhar

João Pedro Mésseder
De que Cor é o Desejo?

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os livros dão mais saber ao teu Natal!


Título: 2 Histórias de Natal
Autores: Alice Vieira

Sinopse: Uma criança não quer acreditar que o Pai Natal não existe, como os pais lhe querem fazer crer. Um Pai Natal que acha que também tem direito a receber presentes. São duas histórias de Alice Vieira, com belíssimas ilustrações de João Caetano, para oferecer aos mais pequenos (e que os graúdos também vão gostar de ler) neste Natal.

«Quando o despertador tocou, a casa inteira parecia ainda adormecida. Lavínia sentou-se na cama e, de repente, lembrou-se que o Natal estava à porta.
"Meu Deus", exclamou, "tanta coisa para fazer e eu aqui deitada!"
Não tardaria a ver a Mãe chegar a pedir-lhe o pequeno-almoço, ou o Pai a resmungar porque queria ter ficado mais tempo na cama. "Adultos...", pensou, "é preciso ter muita paciência com eles..."
A Mãe andava agora com aquela mania de que o Pai Natal não existia!
Lavínia sorrira, e cheia de boa vontade lá lhe explicara que isso era mentira, que ela não devia acreditar em tudo o que lhe diziam no emprego.
O emprego era para onde Lavínia levava a Mãe e o Pai todos os dias. Lá estavam outros adultos, e todos brincavam muito uns com os outros, até que chegava o momento de voltarem para casa. Depois era a hora de tomar banho, Lavínia contava-lhes uma história e eles adormeciam.
Mas nestes últimos tempos, com o Natal à porta, andavam muito excitados.
— O Pai Natal não existe. Eu sei — dizia a Mãe.
— O Pai Natal é mentira. Toda a gente sabe — dizia o Pai.
Então Lavínia, cheia de paciência, contava-lhes a história verdadeira do Pai Natal, e todo o trabalho que ele tinha na noite de 24 de Dezembro, para escorregar pelas chaminés abaixo e deixar, na cozinha de cada criança, aquilo que cada criança tinha pedido.
— E como é que ele cabe na chaminé? — perguntava a Mãe.
— Não se está mesmo a ver que é mentira? — dizia o Pai.
Lavínia sorria, sorria sempre. Eram tão engraçados, os adultos! O pior é que o tempo passava muito depressa. Não tardariam a ficar crianças, e então perdiam a graça toda. Era aproveitar agora. [...]»

Continua a leitura na tua Biblioteca!

Poesia... para começar bem o dia!



Caprichos

O Agosto não é pai do Agostinho.

A dona não é mães da doninha.
O pião não é o marido da pia.
A zanga não é filha do zangão.
O clarim não é irmão do clarão.
Ah, por falar em claridade:
O Arco enamorou-se da Íris
E tiveram uma ninhada de cores:
O arco-íris.

Teresa Guedes, Real… mente, 2ª ed., Caminho, 2007


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Poesia... para começar bem o dia!

Liberdade

És livre!
Talvez ainda o não saibas,
Mas és livre!
Podes caminhar sobre a terra e o mar,
Podes até voar,
Pois és livre.
                                         http://www.slideshare.net/evazmila/liberdade

És o dono do tempo!
Sonha!
Pedir-te-ão, amanhã, engenho e arte,
Obra feita,
Obra perfeita,
Obra não contrafeita,
O céu azul.
Será difícil,
Sem mestres, sem deuses, sem magia...
Por isso aprende.
Bebe em todas as fontes,
Uns dias mais, outros menos,
Mas sempre.
Conhece-te!
Conhece os outros!
Conhece o passado e o presente!
Conhece o que houver!
Observa as ervas, as letras e as estrelas...
E sonha.
Sonha ser como elas,
Sem artifícios,
Naturalmente,
E serás belo.

És livre!
Eleva-te
E serás profundo.

O que vais fazer com a tua liberdade?
Tu sabes.
És livre!

Euclides Griné 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Poesia... para começar bem o dia!

                                                                    http://www.10pt.org
                   
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!

Luís Vaz de Camões

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Poesia... para começar bem o dia!

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Mistérios da escrita

Escrevi a palavra flor.
Um girassol nasceu
no deserto de papel.
Era um girassol
como é um girassol.
Endireitou o caule,
sacudiu as pétalas
e perfumou o ar.
Voltou a cabeça 
à procura do sol
e deixou cair dois grãos de pólen
sobre a mesa.
Depois cresceu até ficar
com a ponta de uma pétala
fora da Natureza.

Álvaro Magalhães, O limpa-palavras e outros poemas

domingo, 24 de novembro de 2013

Dia Nacional da Cultura Científica - 24 de novembro

O Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro, foi instituído em 1997, para homenagear o nascimento de Rómulo de Carvalho e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da Ciência. Professor, metodólogo, investigador, historiador, autor de manuais escolares, de livros de divulgação científica e de poesia, estes últimos sob o pseudónimo de António Gedeão, afirmava que o “Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma”. 
Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo, a que se juntaram muitas outras. A beleza da sua poesia deve-se, em grande parte, à capacidade de interpretação da física, da química e da biologia do mundo, associada a alguma reflexão filosófica e humorismo suave.

Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.
(...)

Para assinalar a efeméride, a biblioteca escolar preparou uma exposição sob o título "A Ciência pode ser divertida". Esta atividade, que se insere no Plano Anual de Atividades, contempla uma articulação curricular com o grupo disciplinar de Ciências Físico-Químicas. Servindo-se do fundamento teórico, os alunos produziram instrumentos musicais, com materiais reciclados ou recicláveis, que completam a exposição.
Além da exposição, poderás ler algumas das obras destacadas no boletim bibliográfico.
Aguardamos a tua visita!

sábado, 23 de novembro de 2013

Poesia... para começar bem o dia!

Flutuação

Como um rio de margens à lua, 

Balanceamos um no outro. 
E na voz que é minha e tua 
Há um estalido de sombras, 
Um rumorejo de souto.

André Santos Oliveira, in “Meia-Asa”, a editar em breve pela Chiado Editora.


http://miniimagines1dmp.blogspot.pt