Bem-vindo ao Blogue das Bibliotecas Escolares do agrupamento da Maia!

domingo, 19 de agosto de 2018

É um poema, apenas!

Há um homem


Há um homem
que vive parado
e ninguém sabe por quê.
quando sabem
não entendem: 
parado ele vive.
não entendem como
alguém pode viver
sem sair do lugar.
ele descobriu
onde o mundo começa
e já não quer
sair de lá.
ele diz que perto
temos um oceano
e não paramos nem
pra molhar os pés:
movam os olhos,
parem os pés.
nosso oceano é maior.
parado dizem
que ele perde tempo
e do tempo temos
que estar à frente.
mas ele é um homem
detrás do seu tempo.
o perdendo pode
se encontrar.
parado
está em movimento
porque o seu mundo
é por dentro.

Vanessa Carvalho

quinta-feira, 26 de julho de 2018

domingo, 22 de julho de 2018

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Recordando Nelson Mandela


No dia em que celebraria 100 anos, recordamos o antigo Presidente da África do Sul como o maior defensor dos direitos humanos, da dignidade e da liberdade. Imagina o impacto que teríamos se todas as pessoas seguissem o seu exemplo e tentassem fazer a diferença na vida dos outros.
Nelson Mandela

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Um poema!

O Sorriso


Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu aporta.
Era um sorriso com
muita luz
lá dentro, apetecia entrar nele,
tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele
sorriso.
Correr, navegar, morrer
naquele sorriso.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 11 de julho de 2018

DIA MUNDIAL DA POPULAÇÃO


Foi a 11 de julho de 1987 que o contador mundial de população chegou aos 5000 milhões de pessoas, inspirando a ONU a criar este dia em 1989 e a comemorar anualmente esta efeméride a 11 de julho.

Um poema para começar o dia!

Aldeia
Aldeia 


recordo os abraços de mãe 
nas noites de trovoada 
e de lhe perguntar se aquela chuva toda 
ia inundar o mundo. 
recordo aquela manta que servia toda a família 
quando chegava a hora da novela. 
e aqueles passeios pelo campo 
sem destino ou direção.

as lareiras iluminavam as noites 
de cheiro a madeira queimada, 
a escuridão combatia-se com a luz fraca 
dos candeeiros da rua. 
e nós cantávamos canções, 
dizíamos boas noites aos avós e tios, 
e depois mergulhávamos nos lençóis gélidos. 

ao nascer do dia 
seguíamos em excursões sem fim, 
prometendo a nós próprios desbravar o mundo. 
e o mundo era aquele campo de milho, 
a ribeira e os sapos, 
as pinhas (que aqueciam a casa) 
e as amoras (que davam para fazer geleia). 


recordo as incursões ao rio 
e de como invejava o miúdo 
que nadava até uma pedra. 
tão distante como daqui à lua, julgava eu. 
recordo os dias de feira, 
das galinhas, patos e perus. 
recordo aqueles homens e mulheres 
com as linhas da mão sujas 
pelas enxadas que trabalhavam a terra 
e pela lenha que tinham de cortar
para vencer o frio. 

vivia-se com pouco, 
mas vivia-se com um sorriso. 
agora parecem memórias distantes, 
impossíveis de repetir. 

resta este poema 
e a alegria de saber 
que tudo isto existiu 
— a memória deixa assim 
de morrer comigo. 

Rodrigo Ferrão

quinta-feira, 5 de julho de 2018

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Um poema para começar o dia!


Morre lentamente 


Morre lentamente
Quem não viaja
Quem não lê
Quem não ouve música
Quem destrói o seu amor-próprio
Quem não se deixa ajudar... 

Morre lentamente
Quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de
emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos. 

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos. 

Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se
da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de o iniciar,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
simples acto de respirar...
Estejamos vivos, então! 


Pablo Neruda